Tireoide III: nódulo de tireoide e câncer

Tireoide III: nódulo de tireoide e câncer

A presença de nódulos na tireoide é bastante comum e felizmente, na sua maioria são benignos (90 a 95 %). Sendo assim, aproximadamente 5% dos nódulos representam tumores malignos.

Como os tumores de tireoide são mais comuns entre as mulheres, nas consultas periódicas ao ginecologista detecta-se o tumor precocemente. Muitas vezes o próprio paciente ou um familiar percebe uma protuberância no pescoço.

Na maioria das vezes após a detecção de um nódulo, o médico solicita exames de sangue para a dosagem dos hormônios e ultrassonografia do pescoço.

A ultrassonografia permite a avaliação de toda a glândula tireoide e detecta nódulos suspeitos, ou seja, nódulos que possuem algumas características associadas a um maior risco de conter células cancerosas (malignidade do nódulo).

Como a ultrassonografia não permite a distinção entre nódulos benignos e malignos, a punção dos nódulos suspeitos é frequentemente realizada. A punção definida como PAAF (punção aspirativa com agulha fina) consiste na coleta de pequena quantidade de tecidos ou de fluidos do nódulo da tireoide, que será analisada. Quando o resultado dessa análise evidencia células malignas, a cirurgia é indicada.

Hoje em dia é comum conhecermos alguém que tenha tido o diagnóstico de câncer de tireoide, dando-nos a impressão de estar mais frequente. Na verdade este aumento na incidência se deve principalmente ao aumento do diagnóstico de pequenos tumores, que poderiam permanecer assintomáticos e não serem diagnosticados durante toda a vida.

O tumor de tireoide pode surgir em qualquer indivíduo, mas é mais comum naqueles que tiveram um familiar com antecedente deste tipo de tumor. A maioria dos tumores de tireoide pode ser extirpado completamente através da cirurgia que consiste na remoção de toda a glândula e é denominada tireoidectomia total. Uma vez removida a glândula tireoide, o indivíduo deverá repor o hormônio que ela produzia, sendo assim, ele passará a tomar hormônio tireoidiano para o resto da vida. Após a realização da cirurgia, muitas vezes o tratamento deverá ser complementado com iodo radioativo, conhecido como tratamento radioablativo. Este tratamento consiste na administração de uma dose alta de iodo radioativo (iodo-131), pela boca, com o intuito de destruir tantos os resíduos de células normais de tireoide quanto os de células cancerosas. Para a realização deste tratamento é necessário a internação em um quarto especial, geralmente por dois dias, com o objetivo de eliminar parte da radiação e assim poder retornar ao convívio social apenas com algumas restrições temporárias. O tratamento coadjuvante com iodo radioativo aumenta a sobrevida do indivíduo e diminui os riscos do tumor retornar.

Durante o acompanhamento do paciente, o endocrinologista pode suspeitar da recidiva (reaparecimento) ou da disseminação do tumor da tireoide e com esse intuito, poderá solicitar um exame denominado PCI (Pesquisa de Corpo Inteiro) com iodo radioativo. Para a realização deste exame não é necessário internação; o paciente engole uma pequena quantidade de iodo radioativo e posteriormente realiza o mapeamento do corpo todo para avaliar a presença de algum sítio anormal de concentração que possa indicar o reaparecimento da doença.

Felizmente, a maioria dos tumores da tireoide evolui bem quando adequadamente tratados, sendo os índices de mortalidade similares aos da população geral. No entanto para que o tratamento atinja sucesso terapêutico, é essencial o acompanhamento constante com o endocrinologista.


VOLTAR PARA Artigos científicos | OUTRAS PUBLICAÇÕES
FONTE: INAL