Tireoide II: a glândula produtora do combustível do nosso organismo

Tireoide II: a glândula produtora do combustível do nosso organismo

Como foi dito no artigo anterior, a glândula tireoide é a responsável pela produção dos hormônios T3 e T4, que afetam vários órgãos e ajudam a controlar as funções do nosso organismo. Quando a produção dos hormônios tireoidianos está baixa, o corpo funciona mais lentamente, desacelera. Por outro lado, o excesso dos hormônios T3 e T4 faz o organismo funcionar mais rapidamente, acelerando-o.

Para o diagnóstico das doenças da tireoide, além dos exames de sangue, o médico poderá solicitar alguns exames de imagem, sendo os mais comuns a ultrassonografia e a cintilografia.

A ultrassonografia da tireoide é um excelente exame para a detecção de nódulos, permitindo a avaliação adequada do tamanho destes nódulos, além de algumas características que estão associadas a um maior risco de tratar-se de um nódulo maligno. A ultrassonografia pode também servir como guia durante a punção (PAAF- punção aspirativa por agulha fina), para a coleta de material que será encaminhado ao patologista, para posteriormente avaliar a presença ou não de células malignas, ou seja, para distinguir lesões benignas de malignas. Os nódulos são as formas de apresentação de várias doenças da tireóide e felizmente a maioria deles é benigna.

A cintilografia de tireóide é um exame de simples realização e que até quatro décadas atrás constituía o método de escolha para avaliação da sua morfologia. Hoje em dia, com o advento do ultrassom, a medicina nuclear avalia a funcionalidade da glândula como um todo ou dos nódulos ali presentes. Essa informação é importantíssima para a decisão clínica do seguimento dos nódulos ou do funcionamento glandular.

O exame consiste na ingestão de uma pequena dose de material radioativo (o iodo-131) que irá concentrar no tecido tireoidiano, permitindo a realização do seu mapeamento (obtenção de imagens da tireoide) e cálculo da concentração do material pela glândula. A cintilografia permite avaliar o estado do tecido tireoidiano, bem como de seus nódulos, nos dizendo se a glândula ou os nódulos são hipercaptantes, ou seja, se apresentam concentração excessiva do material ou se são hipocaptantes ou frios – não concentram ou concentram pouco o material. Além disso, a cintilografia é capaz de diagnosticar inflamação da glândula conhecida como tireoidite, devido à dificuldade de concentração da glândula nesses casos.

Como a tireóide concentra fisiologicamente o iodo radioativo, ele pode ser usado para tratar algumas patologias como o hipertireoidismo ou doença de Basedow-Graves ou simplesmente doença de Graves. Esta doença consiste na produção excessiva de hormônios da tireoide associada ao aumento de tamanho da glândula, configurando um dos tipos de bócio.

Para o tratamento do hipertireoidismo utilizam-se doses mais altas de iodo-131 do que as habitualmente usadas no exame de cintilografia de tireóide. O Iodo-131 inibe a função de algumas células da tireóide e compromete a reprodução celular, resultando assim, na diminuição do tamanho da glândula e menor produção dos hormônios. O tratamento não necessita de internação, pode ser indicado a quase todos os indivíduos e atinge altos níveis de sucesso terapêutico, conseguindo controlar uma patologia que causa vários sinais e sintomas ao paciente, sem a necessidade de cirurgia.

Assim podemos verificar que apesar dos primeiros estudos tireoidianos terem sido realizados há quatro décadas, ainda hoje a contribuição da medicina nuclear nas patologias tireoidianas se mostra importante, insubstituível e eficaz.


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FONTE: INAL